Uma sociedade equilibrada sabe andar de bicicleta


Texto de Victor Garcia Preto   
Uma sociedade equilibrada sabe andar de bicicleta. Início com uma frase provocadora. Mas por favor não se sinta ofendido. Principalmente se você não sabe ainda andar de bicicleta, seja por qualquer motivo. Quando me refiro a saber andar de bicicleta, não é propriamente de forma técnica, mas ao modo com que se anda. 

Saber escrever é diferente de escrever bem ou produzir frases, textos e informações produtivas. Saber dirigir veículos motorizados não necessariamente fará um motorista civilizado. Possuem o conhecimento de que é necessário usar a seta, mas não usam. Algumas atitudes de bom senso e civilidade devem ser usados em qualquer situação da vida. Inclusive para andar de bicicleta.


Não posso dizer que alguns fenômenos acontecem em todo o país, mas em minha cidade, Ribeirão Preto-SP, observo características da maioria dos ciclistas. A questão está quando a atitude de um individuo e grupo pode atrapalhar a sociedade. O exemplo das bicicletas é apenas um. Não se incomode se sentir parte das críticas. Estou propondo reflexão as atitudes, não ofensa as pessoas. Mas senti a necessidade de escrever o tema.


Muitos podem questionar qual o problema atual das pessoas que andam de bicicleta. E está exatamente em não ter dimensão que portam um veículo e embora não seja motorizado (pelo menos de modo geral) e atinja velocidades muito inferiores a outros meios de transporte em geral, ainda é um veículo e reque determinadas atenções. 

Entendo que alguns momentos é complicado, pois a bicicleta nem sempre está adequada para circular junto com carros e demais veículos em vias movimentas e tão pouco para circular em calçadas juntamente com pedestres, somando-se ao fato de haver poucas ciclovias nas grandes cidades brasileiras, incluindo a que resido.
Esse talvez seja o primeiro ponto a ser analisado. Independentemente da forma com que se realize, uma sociedade equilibrada busca formas de viabilizar a circulação de bicicletas. No entanto, o mundo não é ideal, para ciclista e na maior parte dos aspectos sociais, e é preciso se adequar as questões - o que não significa não buscar melhorias - para que todos se respeitem.


Se um ciclista não tem consciência da condição que ocupa, ele pode criar pequenos ou grandes incidentes. É um veículo que não pode se comparar com os demais, mas pode ser danoso para os pedestres. Ciclistas que não respeitam a sinalização dos semáforos, esperando que motoristas e pedestres os entendam. Se colocar em locais que propositalmente atrapalham e impedem carros de ultrapassá-los e muitos outros pequenos deslizes que somando-se contribuem para tumultuar. Ciclistas de todas as classes sociais se unem no descaso com os "diferentes". Dos humildes, que andam descalços com simples bicicletas, os trabalhadores braçais que culturalmente usam o veículo como locomoção para irem ao trabalho, aos mais sofisticados, com veículos mais caros, usando capacete, joelheira, cotoveleira, e outros equipamentos. Todos os grupos - não todos os indivíduos - cometem seus erros.


Se muitas vezes não há o mínimo de consciência com a questão do trânsito, isso se amplifica com relação aos pedestres. Ciclistas pedalando na calçada, muitas vezes em velocidade inconcebível, não se preocupando com os demais cidadãos que a ocupam. São o reflexo de todos os setores e aspectos da sociedade, onde cada individuo olha apenas para seu próprio umbigo, sustentando seus próprios interesses. Exaltam os acertos, e justificam seus erro. No caso das bicicletas, alguns dos prejudicados, se sentem culpados por atrapalharem os ciclistas a atravessarem as calçadas. Até nesse simples exemplo é possível presenciar inversão de valores, seja quando o lado errado se sente certo e/ou superior aos demais ou o lado prejudicado se sentem culpado.


Aprender a andar de bicicleta não significa saber andar de bicicleta. E essa incompetência no ciclismo se acentuou no período de pandemia.
É sabido que muitas pessoas tomavam as medidas sanitárias que as próprias defendiam apenas quando conveniente. Nesse caso, a bicicleta se tornou uma muleta. A desculpa para determinadas atitudes. Por portar uma bicicleta todas as atitudes são justificáveis. Desde descer do veículo em um local público, sem máscara, incomodando os demais, ou mesmo aglomerando. Todo o tipo de circunstância acontece. Com a justificativa de ser ciclista.


Pegar descida em alta velocidade pela calçada, tumultuar com aglomeração, andando a pé e empurrando a bicicleta, impedindo passagem de pedestres, atravessar carros, correndo risco a si próprio e aos motoristas dos veículos motorizados. E outras atitudes. Pode não ser proposital, mas se acham donos do mundo. Com essa questão, todos acabam sofrendo as consequências desse desequilíbrio. E em algumas situações, os próprios ciclistas são prejudicados. Presenciei a queda de um ciclista, que descia uma via pela calçada. Analisei a situação. Se estivesse pela rua jamais escorregaria, devido as condições de lodo acumulado na calçada. Ou seja, esse engessamento e principio de não andar nas ruas prejudica a si próprio.


Nossas ações são construídas nos pequenos detalhes do dia a dia. Em não fumar próximo a pessoas que não gostam do cheiro do cigarro, de ceder lugar no ônibus, de usar a seta quando necessário no trânsito, de respeitar os direitos do próximo e também, da maneira como se anda de bicicleta.


Vale ressaltar que há casos aceitáveis, dependendo da condição, e principalmente quando se trata de crianças. É aceitável em locais específicos e/ou onde dificilmente passam demais pessoas. Mas não é o caso da maioria.


Alguns acharão um caso irrelevante ou colocar muito peso nesses acontecimentos. Porém, são nos (supostos) pequenos detalhes que se constitui os grandes valores. Se o olhar é egoísta. Não constituiremos uma sociedade coletiva, de união e cooperação. Se pessoas não sabem andar na rua, ou melhor, na calçada, o que esperar?
Nos pequenos detalhes, se faz grandes diferenças;


Uma sociedade equilibrada. Com ciclovias, faixas exclusivas para ônibus, guias rebaixadas e rampas para deficientes, calçadas niveladas, ruas iluminadas e bem sinalizadas, segurança pública a todos, lixeiras e pontos de lixo reciclável espalhados pelas calçadas, ruas com asfalto de qualidade, sem desníveis e buracos, com bicicletas com preço acessível a população, mas que também, tenhamos uma população que saiba andar de bicicleta.

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Sobre o Autor: 
Victor Garcia Preto   
Formado em Ciências Contábeis. 29 anos, Resido Ribeirão Preto.  Tenho um perfil de textos no Instagram: @textosinceros. Segue lá.

              

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