Estou cansado.


Uma hora a gente cansa.

       Enfim... Eu tô cansado.

       Cansado de me preocupar. Cansado de me importar. Cansado de me preocupar tanto com o que talvez vão pensar. Cansado de me importar tanto com a minha imagem. 

       Cansado de segredos. Cansado de mentir para os outros e principalmente de mentir para mim mesmo. Cansado de tentar me enquadrar em alguma descrição e acabar deixando de ser só quem eu sou.

       Eu tô cansado de fingir. Fingir que sou ou que estou. De fingir estar tudo bem. 

       E está tudo bem... Mas estar tudo bem não é o suficiente para EU me sentir bem. Ainda continuo me sentindo deslocado e tentando procurar sentido ou criar sentido sobre coisas que não tem mais sentido.

       Cansado de viver no modo automático e viver sem sentir. 

       Cansado.

       Não adianta. Mais cedo ou mais tarde; não importa o que você esteja aturando, uma hora cansa. Cansa daquele alguém que só lembra de você quando precisa que faça um favor. Cansa de ouvir tantas cobranças. Cansa de fingir. Assim como também cansa de esperar por promessas jogadas ao vento.

       Sempre achei que isso acontece somente com os velhos: quando eu completasse meus 60 anos e saísse chutando tudo pela frente por nao ter mais tempo a perder ou alguma coisa a perder, dado uma vida percorrida engolindo e aturando tantos e tantas. 

       E então chega hora que você quer se livrar daquele fardo que você nem sabe ao certo o que é. Mas que pesa. E você sabe o que tem que fazer.

       E você se rende . De repente se da conta de que só quer se render, desistir.

       Mas não desistir de si mesmo, ou da vida.

       Mas desistir daquilo que se está cansado. Começando por substituir "cansado de"  por "desistir de".

       E então você simplesmente desiste. Se antes estava cansado das convenções, hoje quer simplesmente desistir de todas as convenções. Desistir de fingir. Desistir de suprir expectativas de pessoas pelas quais temos a ilusão de que se importam com o que fazemos ou deixamos de fazer. Desistir de reprimir o que se quer fazer, o que sente. Desistir de dizer tantos nãos, de engolir tantas revoltas, tantas palavras.

       Você desiste de tudo isso e se abre para o mundo. Se abre uma janela que até então você ignorava. A janela do coração. A janela daquele de quem realmente deixamos de ser. De nós mesmos.

Desistir e renascer. Renascer de novo. Só que agora com autenticidade.


Sobre o Autor: 

Leone Bravi  22 anos. Idealizador do blog Papicher. Leonino. De tudo que tenho na minha vida; viajar, amigos e livros são minhas paixões! Mais do que isso, divulgar  tudo o que eu tenho aprendido. Apaixonado pela vida. I make myself.

        

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