Eu não sei dizer quanto tempo eu preciso para me entender


Eu não consigo entender a velocidade da passagem do tempo.
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Eu não me refiro a sensação que todo mundo tem de que o tempo está passando rápido demais. Mas me refiro ao tempo com que as coisas continuam vivas dentro de mim. Esse tempo (o das minhas memórias, dos meus sentimentos,), não têm nada a ver com a velocidade do tempo concreto medido pelo relógio. Houveram momentos em que na hora não tiveram importância, mas que por dentro me impactaram e trago comigo até hoje: um desenho que eu vi, um carinho que recebi, uma traição, uma surpresa, fases da vida que eu vivi intensamente e que eu fico revivendo até hoje. Que tempo é este que roda dentro de mim?

Já pensei sobre tantos projetos que dediquei tanto tempo, que eu me surpreendo "nossa, passei todo esse tempo fazendo isso?", e que hoje ficaram como uma mera lembrança distante. De maneira inversa, algumas outras coisas foram mais breves, mas que foram tão legais que eu carrego vivo aqui dentro de  mim. Que tempo é esse? Qual é o meu tempo? Qual é o tempo de cada coisa?


Quando faço viagens, eu chego em determinado lugar na hora, mas sempre tenho a sensação de que a alma demora mais um pouquinho para chegar. Por isso que quando eu chego, me sinto assim meio estranho. Sei lá, leva um tempo. Parece que uma parte de mim ficou e que eu preciso esperar para que tudo se encontre de novo. 

Eu não sei dizer quanto tempo eu preciso para me entender, quanto tempo preciso para perdoar. Às vezes, eu fico analisando as coisas tentando descobrir o tempo que eu dedico às coisas, a importância das situações, das pessoas, como eu estou me comportando com elas. Pessoas que me demandam um tempo e que quando vão embora não deixam nada. Outras não me demandam tempo e quando elas vão embora, aquele tempo parece que é multiplicado por conta de tantas coisas que elas me deixam, de uma maneira tão única, tão prazerosa. 

E eu fico carregando essas pessoas comigo um tempão sz.


"Tudo debaixo dos céus tem um tempo certo". Tendo isso em mente, será que eu estou dedicando o meu tempo de maneira correta e para as coisas que eu tenho que me atentar? Ou estou usando-o como um bem inesgotável? Ele não é. O meu tempo vai acabar. E eu fico imaginando o dia quando não haverá mais tempo de eu fazer as coisas que eu tenho que fazer, de pedir desculpas, tempo para perdoar, para me explicar, tempo de pedir uma explicação.

texto por Regina Volpato






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